A saúde pública de Várzea Grande enfrenta um cenário de colapso. Durante fiscalização realizada em uma unidade de pronto atendimento do município, foram constatadas longas filas, atraso no pagamento de profissionais e pacientes aguardando atendimento por mais de 10 horas, em um quadro descrito como abandono completo da população. A vistoria foi acompanhada pelo vereador Wender Madureira.
Segundo relatos colhidos no local, a gestão da prefeita Flávia Moretti realizou contrato emergencial, mas não efetuou o pagamento integral dos médicos. Os profissionais receberam apenas o salário base, sem gratificações, o que tem provocado sobrecarga, redução de equipes e atraso no atendimento.
“É um descaso tudo o que está acontecendo em Várzea Grande. Até hoje a prefeita não pagou o salário dos médicos. Pagaram apenas o básico. Isso é um crime”, foi relatado durante a fiscalização, após conversas com pacientes e profissionais da unidade.
Mesmo sem receber corretamente, médicos, enfermeiros e servidores administrativos seguem trabalhando para evitar um colapso ainda maior. “Os profissionais estão fazendo de tudo para ajudar a população, mas a gestão da prefeita não colabora. Quem carrega o município nas costas são eles”, foi destacado.
Espera começa de madrugada
Dentro da unidade, pacientes relataram horas intermináveis de espera. Crianças, pessoas com deficiência e pacientes com dores intensas permaneciam sentados em cadeiras ou aguardando em pé, alguns desde a madrugada.
A paciente Nádia contou que chegou antes das 7 horas da manhã e, no fim da tarde, ainda não havia sido atendida. “Cheguei aqui às 06h59. Fiz triagem e depois o médico saiu para almoçar. Já são quase 17h e ainda estou aqui. Avaliação da saúde? Zero”, desabafou.
Outro caso envolveu um acidente de moto. O paciente relatou dor intensa no braço e afirmou não ter dormido durante a noite. “Meu braço está doendo, passei a noite inteira com dor. O médico saiu às 11h30 e só voltou às 14h30”, disse.
Há ainda relatos de pacientes que chegaram à unidade na noite anterior. “Cheguei aqui ontem às 21h e só comecei a ser atendido depois das 10h da manhã”, contou um jovem.
Denúncia ao MP e à polícia
Diante da situação, a fiscalização informou que irá acionar o Ministério Público e a Polícia Civil. A denúncia envolve possível mau uso de recursos públicos e abandono da assistência à saúde.
“Esse dinheiro não é da prefeita. É dinheiro do povo que está aqui sofrendo e esperando atendimento. É caso de polícia e caso de Ministério Público”, foi declarado.
O cenário observado na unidade reflete, segundo os relatos, uma crise generalizada na gestão municipal. “Não é só a saúde. Tudo está péssimo. Várzea Grande está abandonada”, conclui o relato da fiscalização.
Outro lado
Diante da fiscalização, a reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde para esclarecimentos. Porém, até o fechamento desta matéria, não houve pronunciamento oficial sobre os motivos da superlotação e da demora no atendimento. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.



















































































































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