O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão gerou repercussão nacional ao se basear em publicações feitas por aliados nas redes sociais — e não diretamente por Bolsonaro, que segue proibido de utilizar seus perfis desde julho.
Segundo Moraes, mesmo sem postar por conta própria, Bolsonaro teria violado a medida cautelar ao aparecer em conteúdos divulgados por seus filhos, como o senador Flávio Bolsonaro. Em um desses vídeos, o ex-presidente fala com apoiadores por telefone durante um ato no Rio de Janeiro. A gravação foi publicada e posteriormente apagada por Flávio, o que o ministro interpretou como tentativa de burlar as restrições.
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca na residência de Bolsonaro, em Brasília, e apreendeu ao menos um celular. Além da prisão domiciliar, Moraes determinou a proibição de visitas — exceto por familiares próximos e advogados — e o recolhimento de todos os aparelhos eletrônicos da casa.
Bolsonaro já estava sob medidas restritivas desde julho, no âmbito do processo em que é investigado por suposta tentativa de golpe de Estado. Ele também é citado em apurações sobre interferência indevida no Judiciário e uso de influência internacional para pressionar autoridades brasileiras.
Durante depoimento à PF, o ex-presidente admitiu ter enviado US$ 2 milhões para manter o filho Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Para Moraes, esse movimento seria parte de uma estratégia coordenada para pressionar o STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), especialmente após o governo norte-americano anunciar tarifas comerciais contra o Brasil, supostamente ligadas a esse embate político.
A defesa de Jair Bolsonaro, por outro lado, tem sustentado que ele não descumpriu nenhuma ordem direta e que a decisão de Moraes representa mais um capítulo da perseguição judicial contra o ex-presidente. A avaliação de aliados é de que o Judiciário tem ultrapassado os limites legais ao punir manifestações indiretas ou ações de terceiros como se fossem de responsabilidade direta de Bolsonaro.
Mesmo diante das novas restrições, manifestações de apoio ao ex-presidente ocorreram no último fim de semana em várias cidades brasileiras, incluindo Rondonópolis. Nas redes, simpatizantes criticaram o endurecimento das medidas e levantaram a hashtag #BolsonaroPerseguido, que ficou entre os assuntos mais comentados.
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