O mês de fevereiro é marcado pela campanha Fevereiro Laranja, dedicada à conscientização sobre a leucemia, tipo de câncer que afeta a medula óssea e compromete o sistema de defesa do organismo. Em Mato Grosso, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aderiu à iniciativa com o objetivo de sensibilizar servidores e a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e da doação de medula óssea.
Além da campanha institucional, a ALMT tem atuado de forma concreta por meio da legislação. Entre as iniciativas está a Lei nº 9.807/2012, de autoria do deputado Nininho (Republicanos), que institui a Semana Estadual de Conscientização da Importância da Doação de Medula Óssea; a Lei nº 11.910/2022, de autoria do deputado Dr. Eugênio (PSB), que obriga concessionárias de serviços públicos a divulgarem campanhas de saúde e prevenção em suas faturas; e a Lei nº 12.453/2024, de autoria do deputado Júlio Campos (União), que autorizou a criação de licença para doação de medula óssea no serviço público estadual.
No Legislativo também tramitam propostas como o Projeto de Lei nº 694/2024, de autoria do deputado Valdir Barranco (PT), que estabelece diretrizes para a identificação precoce da doença no Estado, e o Projeto de Lei nº 829/2024, do deputado Paulo Araújo (PP), reforçando o compromisso da Casa com a saúde pública.
Para o presidente da ALMT, deputado estadual Max Russi (PSB), o papel do Parlamento vai além da criação de leis.
“A Assembleia tem o compromisso de ser um espaço de diálogo, informação e cuidado com as pessoas. Ao abraçar o Fevereiro Laranja, reforçamos nossa responsabilidade social e nossa preocupação com a vida, estimulando o diagnóstico precoce e a doação de medula óssea, que podem salvar vidas”, destacou.
A leucemia é caracterizada pela produção desordenada de glóbulos brancos anormais, que perdem sua função de proteção do organismo. Com isso, o corpo passa a produzir menos células saudáveis, como hemácias e plaquetas, comprometendo a imunidade, a oxigenação do sangue e a coagulação.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra entre 11 mil e 12 mil novos casos da doença por ano, atingindo crianças, adultos e idosos, o que reforça a relevância do tema para a saúde pública.
De acordo com o médico hematologista Dr. José Dias, um dos maiores desafios no enfrentamento da leucemia é o reconhecimento precoce dos sinais.
“Os sintomas iniciais, como cansaço excessivo, palidez, febre persistente, infecções frequentes, sangramentos sem causa aparente e dores ósseas, muitas vezes são confundidos com viroses ou anemias comuns. Isso pode atrasar o diagnóstico e, consequentemente, o início do tratamento”, esclareceu.
O primeiro-secretário da ALMT, deputado estadual Dr. João (MDB), que também é médico, ressaltou a necessidade de avançar na descentralização da oncologia em Mato Grosso.
“Eu já enfrentei o câncer, já fiz quimioterapia e, mesmo tendo condições de buscar cuidados, sei na pele o quanto essa jornada é difícil, dolorosa e cheia de desafios. Por isso, carrego comigo a responsabilidade de lutar para que ninguém passe por essa batalha sem apoio. O estado precisa avançar na descentralização da oncologia, levando tratamento, cuidado e esperança para mais perto das famílias mato-grossenses.”
Diagnóstico e doação
O diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso terapêutico. Quando identificada nas fases iniciais, a leucemia apresenta maiores chances de controle e resposta ao tratamento, com menor necessidade de procedimentos mais complexos.
A suspeita geralmente surge a partir de exames de sangue que apontam alterações como anemia, queda de plaquetas ou aumento anormal dos glóbulos brancos, sendo confirmada por exames específicos da medula óssea, que permitem identificar o tipo da doença e definir a melhor estratégia de cuidado.
Em muitos casos, o transplante de medula óssea se torna a principal alternativa e, por vezes, a única chance de cura, especialmente quando o paciente não responde adequadamente à quimioterapia ou apresenta risco elevado de recidiva.
Segundo dados do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), a chance de compatibilidade fora da família pode ser de uma em 100 mil, o que evidencia a importância de ampliar o número de doadores cadastrados.
“Quando há parentesco consanguíneo, como entre irmãos, a chance de compatibilidade medular é de cerca de 25%. Já fora do núcleo familiar, essa possibilidade cai significativamente, podendo chegar a aproximadamente 1%, o que evidencia a importância de ampliar o número de doadores cadastrados”, explicou o hematologista.
O processo de doação é seguro, regulamentado pelo Ministério da Saúde, e começa com um simples cadastro no Redome, realizado a partir da coleta de sangue no hemocentro mais próximo. Apesar disso, mitos e desinformação ainda afastam possíveis doadores, reforçando a importância de campanhas educativas e de conscientização como o Fevereiro Laranja.



















































































































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